Escrita pelo dramaturgo Pedro Bloch (1914-2004), “Os inimigos não mandam flores” iniciou temporada no dia 11 de setembro no Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180, Botafogo) onde ficará em cartaz até 25 de outubro. Em Petrópolis, terá duas apresentações nos dias 7 e 8 de novembro (sábado as 21h) e domingo às 18h, no Theatro D. Pedro.
O texto conta a saga de um casal “confortavelmente infeliz” após muitos anos de vida em comum e que, numa reviravolta surpreendente, consegue se libertar dos jogos emocionais viciados e cruéis, resgatando o amor e a paixão. A peça, que estreou no Rio em 1951, foi um grande sucesso dentro e fora do Brasil. Na França, onde as atrizes, Juliette Greco e Marina Vlady interpretaram a personagem principal, Silvia, a obra ficou conhecida como a "peça dos divórcios", pois todas elas acabaram se divorciando ainda no período dos ensaios.
O embate verbal e emocional do casal mantém a plateia absolutamente envolvida do início ao fim do espetáculo. Meio século depois de sua premiére, os atores Cristina Prochaska e Anselmo Vasconcellos, amigos há mais de 25 anos e atuando juntos pela primeira vez, dividem a cena sob a direção de Maria Pia Scognamiglio para provar que o clássico continua atual e impactante como sempre.


Mais representado do que Nelson Rodrigues
Muita gente não sabe, mas o médico foniatra Pedro Bloch é o dramaturgo brasileiro mais representado no exterior, mais que Nelson Rodrigues ou Dias Gomes. Nascido na Ucrânia, em 1914, veio para o Brasil com a família em 1922, formou-se em medicina e foi pioneiro da fonoaudiologia no país. Em 1950 estreou sua peça mais conhecida. O monólogo As mãos de Eurídice foi o maior sucesso da carreira do ator Rodolfo Mayer e tornou-se um fenômeno global. Na mesma época, o lendário protagonizou Morre um Gato na China e Esta Noite Choveu Prata, esta última, também um monólogo, onde Procópio compunha três tipos diferentes e podia demonstrar sua versatilidade, chegou a fazer mais de mil apresentações numa única temporada.
Segundo o crítico “as comédias e os dramas de costumes de Pedro Bloch captam com certo dom de observação personagens e cacoetes do cotidiano carioca”. Já na década de 60, dirigiu Os Pais Abstratos e Carlos Alberto montou O Pecado Imortal, sobre a qual Michalski escreveu: "(...) a comédia - bastante pouco cômica, diga-se de passagem - é de uma respeitável eficiência e comprova um domínio extremamente seguro dos instrumentos de trabalho que Pedro Bloch alcançou agora como dramaturgo-artesão. Não hesito mesmo em afirmar que poucos autores brasileiros seriam capazes de criar uma peça tão bem feita, construída com tanta firmeza, apoiada em tantos efeitos eficientes e valorizada por um diálogo tão espontâneo e vivo.
Certa vez declarou: "só existe um gênero de teatro: o que se comunica intensamente com a plateia, o que extravasa o palco. [...] Quem não alcança esse tipo de diálogo deveria adotar outro gênero menos implacável, pois o teatro é a exposição da alma nua aos olhos e critérios de mil juízes.”

FICHA TÉCNICA
Texto – Pedro Bloch
Direção – Maria Pia Scognamiglio
Elenco – Cristina Prochaska e Anselmo Vasconcellos
Cenário – Fernando Mello da Costa
Direção Musical – Claudio Valente
Direção de Luz – Guiga
Produção Nacional – Usina de Expressão Produções Artísticas

SERVIÇO
“Os Inimigos não Mandam Flores”
Dias: 7 e 8 de novembro
Horário: sábado às 21h e domingo às 18h
Gênero: Drama
Local: Theatro D. Pedro.
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) / R$ 20,00 (meia)
Produção Local: Petrópolis em Cena

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