Muitas vezes a vida nos dá um corte. Um acidente, uma revelação, um crime ou mesmo um fato banal pode interromper o curso de determinada história, mudando para sempre sua trajetória. A peça Corte Seco que aborda exatamente esses cortes abruptos da vida será apresentada em Petrópolis pela primeira vez no Theatro Dom Pedro no sábado e domingo, dias 05 e 06 de fevereiro a partir das 20h30.
Não à toa batizado de ‘Corte Seco’, o novo espetáculo da diretora Christiane Jatahy e da Cia. Vértice de Teatro parte desta idéia para mostrar as bruscas interrupções que acontecem na vida e – em um exercício de metalinguagem – os cortes na narrativa teatral. Em cena, a diretora edita parte do espetáculo diariamente, mudando a ordem de cenas e as cortando em pontos diferentes. Corte Seco conclui a trilogia “Uma cadeira para solidão, duas para o dialogo e três para a sociedade” iniciada com o monólogo ‘Conjugado’ e seguida por ‘A Falta que nos Move’.
A peça estreou em novembro de 2009 no Teatro Sergio Porto no Rio de Janeiro e tem sido um enorme sucesso de critica e de público. Indicada pelos críticos do Globo, Jornal do Brasil e Veja Rio. Em fevereiro de 2010 estreou em São Paulo no Sesc Anchieta, onde realizou uma temporada de 2 meses de sucesso de público e critica. Sendo indicada pelos principais jornais. Viajou para os festivais Porto Alegre em Cena, Fiac em Salvador, Festival de Angra e Festival de Inverno do Sesc. Apresentou-se também em Fortaleza e no Cariri. Recebeu a indicação de Melhor Texto pelo Prêmio APTR dos críticos do Rio de Janeiro e de Melhor Direção pelo Prêmio Shell 2010.
A montagem é resultado de um processo que reuniu parte da Cia. Vértice de Teatro com outros atores: Eduardo Moscovis, Marjorie Estiano, Thereza Piffer, Felipe Abib, Ricardo Santos, Stella Rabello, Paulo Dantas, Branca Messina e Leonardo Netto. Durante este período, todos levavam histórias pessoais, processos judiciais, notícias de jornal e outras referências que, aos poucos, iam se transformando em cenas. Responsável por transformar este material em uma dramaturgia final, Christiane concebeu o texto com situações que se entrelaçam e se sobrepõem, formando uma espécie de mosaico onde o real e o ficcional são separados por uma linha nem sempre perceptível.
“A peça deixa todas as estruturas de dramaturgia aparentes. A platéia percebe como os atores constroem o espetáculo ao vivo, estou com eles no palco, junto com os operadores de som e de luz, que também recriam parte do trabalho a cada dia”, explica a diretora.
Outras referências para a criação de Christiane foram o livro ‘Passagens’, de Walter Benjamim, cujo texto mostra fragmentos da vida cotidiana de moradores de uma grande cidade, e o filme ‘Short Cuts’, de Robert Altman. “É um espetáculo plural, em que os múltiplos focos partem da realidade para constituir uma ficção. Como em um quebra-cabeça, em cortes secos, a peça é remontada a cada dia”, detalha a diretora. Apesar de ser uma apresentação diferente a cada dia, ela frisa que não se trata de um espetáculo de improviso. “Há janelas abertas para a improvisação, mas não é a linha deste trabalho”, diz.
Ao brincar com algumas convenções teatrais e mostrar a construção de determinada cena antes mesmo dela acontecer, o espetáculo deixa toda a sua estrutura ainda mais exposta ao público. Desta forma, ‘Corte Seco’ mantém algumas características das outras partes desta trilogia da Cia. Vértice de Teatro: o elogiado monólogo ‘Conjugado’, estrelado por Malu Galli em 2004, e ‘A Falta que nos Move’ (2005), que, depois de encerrar uma longa turnê, deu origem a um longa-metragem, com direção da própria Christiane Jatahy, mostrado recentemente em Festivais de Cinema e com estréia prevista em novembro de 2010.
Os três projetos tem afinidades temáticas, como a abordagem de padrões e comportamentos desenvolvidos nas relações sociais e familiares. Além disso, as montagens também apresentam o jogo teatral como metáfora da fronteira entre realidade e ficção, com uma dramaturgia construída no processo de ensaios, a partir de histórias reais.
Desta vez, estes reflexos da realidade no palco serão, literalmente, mais explícitos. Imagens captadas por câmeras de segurança instaladas no entorno do teatro serão exibidas ao vivo em vários monitores de TV instalados no cenário. As cenas acontecem dentro e fora do espaço cênico. A rua, os bastidores, camarim, o entorno do teatro fazem parte da cena.
‘Corte Seco’ tem ainda uma cena que muda semanalmente, de acordo com alguma notícia de jornal, escolhida pelo elenco por seu impacto ou pela relevância do tema. No palco, os atores vão recriar, comentar ou mesmo reinterpretar a história da semana.
A classificação indicada para a peça é de 16 anos e os ingressos já estão à venda na bilheteria do Theatro Dom Pedro ou na Academia Aeróbica que fica localizada no Shopping Bauhaus Expansão na Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95, Centro – Petrópolis/ RJ. A entrada custa R$ 20,00 (vinte reais) a inteira e R$ 10,00 (dez reais) a meia entrada que é destinada a estudantes, idosos e deficientes físicos.

Sobre a Cia. Vértice de Teatro
A Cia Vértice de Teatro foi criada em 2000 pela diretora, Christiane Jatahy, o cenógrafo Marcelo Lipiani com a colaboração dramatúrgica do autor espanhol, José Sanchis Sinisterra. A Cia não tem membros permanentes, mas colaboradores artísticos mais antigos que se somam aos novos a cada trabalho. A Cia foi criada para dar seguimento e aprofundar investigação da diretora, Christiane Jatahy. A pesquisa de linguagem transita por algumas zonas de fronteira, tais como: a presença real (aqui e agora) do ator na cena e a referência ficcional do personagem, o real e o ficcional na dramaturgia se misturando e gerando uma terceira zona teatral, a indefinição proposital entre o território do ator e o do público, o diálogo com outras áreas artísticas e o uso de espaços não convencionais ou uso não convencional de espaços tradicionais. Desde a sua criação foram montados os espetáculos ‘Carícias’ (2001), de Sergi Belbel, ‘Memorial do Convento’ (2002), de José Saramago e adaptação de José Sanchis Sinisterra, ‘Conjugado’ (2004), de Christiane Jatahy em parceria com a atriz Malu Galli, que foi indicado a dois prêmios Shell e três prêmios Qualidade Brasil, e ‘Leitor por Horas’ (2006), de José Sanchis Sinisterra, indicado a três prêmios Shell e quatro prêmios Qualidade Brasil. “Conjugado” viajou por festivais no Brasil, Portugal, Espanha e Cuba e ganhou o Prêmio da crítica de Melhor Espetáculo no Festival de Havana. “A falta que nos move” (2005), que participou de festivais no Brasil, Viena e Berlim e foi adaptada para o cinema pela diretora em 2009. O filme foi mostrado em festivais internacionais brasileiros e no exterior e tem estréia prevista nos cinemas em março de 2011.

SERVIÇO
Direção e dramaturgia: Christiane Jatahy
Cenário: Marcelo Lipiani
Iluminação: Paulo César Medeiros
Músicas: Rodrigo Marçal
Orientação corporal: Dani Lima
Elenco: Cristina Amadeo, Eduardo Moscovis, Marjorie Estiano, Felipe Abib, Paulo Dantas, Ricardo Santos, Stella Rabello, Branca Messina e Leonardo Netto
Produção local: Companhia Sekreta
Datas: 05 e 06 de fevereiro de 2011 (Sábado e Domingo)
Horário: 20h30
Local: Theatro Dom Pedro
Praça dos Expedicionários s/nº - Centro – Petrópolis
Tel.: (24) 2235-3833
Ingresso: Inteira - R$ 20,00 (vinte reais)
½ entrada - R$ 10,00 (dez reais) – Destinada a estudantes, idosos e deficientes físicos
Classificação indicativa: 16 anos
Venda antecipada: Academia Aeróbica
Shopping Bauhaus Expansão
Rua Dr. Nelson de Sá Earp, 95
Centro – Petrópolis/ RJ

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