Livro de Benito Barreto será lançado dia 17/4, na Academia Mineira de Letras

O escritor mineiro Benito Barreto lança, no dia 17 de abril, o livro “Despojos: a festa da morte na Corte”, na Academia Mineira de Letras (rua da Bahia 1.466, Lourdes, Belo Horizonte/MG). O livro é o último volume da tetralogia “Saga do Caminho Novo”, em que o autor recria, de maneira ficcional, a derrocada da Inconfidência Mineira de 1789.
“Despojos” é dividido em três partes, que marcam momentos distintos com relação à localização geográfica,  núcleos de personagens, tempo e ritmo da narrativa. Em “A batalha do breu”, o Visconde de Barbacena comanda a luta para acabar com as últimas forças da Inconfidência em Minas, representadas pelo Padre Rolim e pelos bandos de garimpeiros armados comandados por João Costa e Zé Basílio.
A segunda parte, “Um pároco na Corte”, mostra como o Rio de Janeiro recebe a Inconfidência Mineira, do fim de 1789 até abril de 1792. Um dos destaques aqui é a relação entre os conjurados presos e seus padres confessores. “A igreja tem a missão, através dos confessores, de trabalhar a alma dos inconfidentes, de modo a torná-los fiéis arrependidos do seu pecado, temerosos do que a rainha possa fazer, clamando de joelhos, implorando a ela. Todos rapidamente são dobrados, só o Tiradentes não cede”, conta Barreto.
A Inconfidência chega a seu desfecho em “A festa da morte na Corte”, que narra os três dias que antecedem a execução de Tiradentes. “A ideia é mostrar a glória e a alegria de Portugal por fazer justiça ao traidor que ousou contestar o poder da Coroa”, explica Barreto, “as pessoas e as ruas se enfeitam, as bandas tocam, os sinos fazem orquestração, é a maior festa de todos os tempos na vida colonial do País”.

Tributo à Inconfidência
O escritor iniciou suas pesquisas sobre a Conjuração Mineira na década de 1990, através da leitura de obras ficcionais e históricas sobre o tema e viagens pelo interior do Estado. “Despojos” encerra, portanto, quase 20 anos de envolvimento com o assunto. “Eu me sinto muito feliz porque acredito que se devia à Inconfidência e, notadamente, a Tiradentes uma reconstituição ficcional que os restabelecesse na sua integridade, na sua pessoalidade e intimidade, coisa que a história não faz. Então essa é a minha contribuição, o meu tributo à Inconfidência”, afirma Barreto.
Para o autor, o maior mérito da obra é humanizar os personagens da Inconfidência, dar voz ao povo da Minas setecentista, que viveu e participou do movimento, e especialmente “mostrar por dentro e desde a infância o homem Tiradentes”. “Ele é, inquestionavelmente, o primeiro brasileiro a pensar o Brasil como nação e lutar por ele. Isso é uma contribuição única e a maior possível, porque, apesar do desfecho trágico da Inconfidência, essa ideia que ele deixou plantada cresceu e se espalhou. Eu acho que Tiradentes é o nosso homem maior, não há dúvida”, defende Barreto.

Saga do Caminho Novo
Em 2009, 2010 e 2011, o escritor publicou “Os idos de maio”, “Bardos e viúvas” e “Toque de silêncio em Vila Rica”, que fazem parte da “Saga do Caminho Novo”. A tetralogia recebeu os prêmios concedidos pela União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico de 2010 e de 2011.
Os dois primeiros episódios, “Os idos de maio” e “Bardos e viúvas”, mostram o momento crítico no qual se desfez a conspiração e o terror que se seguiu às delações e prisões. No terceiro, “Toque de silêncio em Vila Rica”, as hipóteses de resistência à repressão se manifestam e desvanecem: os líderes do movimento são presos, torturados, perseguidos ou executados e dificuldades de comunicação marcam a relação entre os inconfidentes ainda livres e os grupos populares.

O autor
Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929 na cidade de Dores de Guanhães, Nordeste de Minas. Além de escritor, é também jornalista e empresário.
Em sua obra literária, destaca-se a tetralogia “Os Guaianãs”, formada pelos livros “Plataforma vazia” (1962), “Capela dos homens” (1968), “Mutirão para matar” (1974) e “Cafaia” (1975). A tetralogia, já em sua 3ª edição, recebeu diversos prêmios e teve dois de seus volumes traduzidos para o russo e publicados na antiga União Soviética em 1980, com tiragem de 100 mil exemplares. A obra foi reeditada em dois tomos pela editora Mercado Aberto, de Porto Alegre, em 1986.
“Os Guaianãs” é uma referência importante da prosa regional brasileira e narra uma heróica história de resistência, tendo como tema principal uma guerrilha rural hipotética nos sertões baianos e mineiros durante as décadas de 1960 e 70. É uma saga moderna, de cunho essencialmente épico, que mostra a fertilidade imaginativa e o vigor estilístico do autor.
Barreto publicou ainda “Vagagem” (1978), que se apresenta como um livro de “viagens e memórias sem importância”; “A última barricada” (1993), romance em folhetins improvisados, que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de “Os Guaianãs”; e “Um caso de fidelidade” (2000), que reflete as incertezas do mundo globalizado e pós-ideológico que se sucede à derrocada do socialismo.
FONTE: Assessoria

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