Gabriel Silva (Divulgação)

por Anna Paula Di Cicco*
O país parou para aplaudir o petropolitano Gabriel Silva, que se tornou candidato da última edição do programa The Voice Brasil, após os quatro jurados virarem a cadeira durante sua interpretação de “Hoochie Coochie Man”, de Eric Clapton. Aos 43 anos, Gabriel se diz realizado por ter integrado o programa e compara sua participação a um jogo de loteria.
 “A oportunidade do The Voice é como um jogo da mega sena. Você joga querendo acreditar, mas não cria perspectivas. Eram cerca de 100 mil inscritos por vaga. Era muito difícil eu estar entre as 48 pessoas escolhidas para o programa”, lembra.
Na mesma época em que surgiu o The Voice, Gabriel foi chamado para trabalhar na Firjan. Foi então que começou um dilema. Gabriel buscava estabilidade, pois estava com família formada e a vida artística sem muito retorno. Mas ele conta que amigos e familiares o apoiaram a seguir seu sonho. “Todo mundo me mostrou a oportunidade que estava batendo à minha porta. Me mostraram que dificilmente um outro The Voice surgiria na minha vida. Então resolvi seguir meu sonho”, comemora.
No entanto, não é de hoje que Gabriel se apresenta nos palcos do Rio de Janeiro. Nascido na Cidade Imperial, que tem a cultura da música no DNA – a exemplo das bandas marciais e dos diversos corais – ele teve contato desde pequeno com os ritmos e instrumentos. Ainda na adolescência, aos 14 anos, montou sua primeira banda de pop rock e lembra com carinho de como tudo começou.
“Lá em casa ouvíamos James Brown, Steve Wonder, Paul McCartney. Eu ouvia The Police e meu irmão Supertramp. Eu até achava bacana, mas ainda não era a minha. Foi um vizinho que me mostrou um outro lado do rock, com AC/DC, Duran Duran e U2. Eram bandas que além da batida rock’n roll, tinham atitide. Isso se deu também com bandas nacionais e o movimento de Brasília com a Legião Urbana, Capital Inicial e Ultraje a Rigor”, aponta.
Assim surgiu a banda Enigma, formada por Gabriel e outros dois vizinhos. Nessa época ainda buscavam um vocalista, quando Gabriel manifestou a vontade de tentar. “Eu nem sabia se eu sabia cantar, se tinha timbre, afinação. O que eu sabia era que tinha vontade. E deu certo”, conta.
Entretanto, um novo instrumento mudou o rumo da banda. Se antes o repertório era pop, depois que um amigo apareceu com uma gaita, o Enigma se transformou em Urublues e a pegada mudou. “Insistentemente começamos a ouvir blues. A banda passou a ser composta por outros instrumentos e chegamos a tocar no Circo Voador. Nós estávamos com 17 ou 18 anos”, diz.
A Urublues durou cerca de quatro anos. “Depois veio a época de faculdade e como a vida de músico é difícil, cada um seguiu seu caminho”, diz Gabriel, relatando que começou a trabalhar com perfuração de poços na Petrobras. Durante cinco anos ele também cantou na banda Tokaia, fazendo diversas apresentações em Petrópolis.
Gabriel, que mora em Rio das Ostras, lembra com carinho da Cidade Imperial, mas aponta algumas falhas da administração.
“Petrópolis é um berço de artistas. Nomes como Rodrigo Santoro, Camila Morgado, e Rogério Persy (guitarrista de Erasmo Carlos) são petropolitanos. Mas nenhum teve uma homenagem, um incentivo. Não os vemos citando Petrópolis. O Santoro poderia estar levando o nome da cidade para Hollywood, mas porque se a cidade não olha para ele?”, questiona.
Para Gabriel, o que é feito em termos de cultura é mérito da própria população. “Petrópolis está engessada no sentido cultural. O que há de bom, devemos agradecer ao povo petropolitano, que é raçudo, que se mobiliza e faz acontecer mesmo com pouco ou sem nenhum recurso”, afirma.
Para 2015 os fãs de Gabriel Silva podem esperar o lançamento do primeiro DVD, que está em fase de gravação, além de diversas datas de shows.
*Jornalista


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